Há alguns meses tive a maravilhosa oportunidade de passar dois meses na França, tentando dar uma aprimorada no Francês, na pacata cidade de Amboise. Com apenas 11 mil habitantes, Amboise é uma cidadezinha no Vale do Loire conhecida por ter sido o último lugar onde morou Leonardo da Vinci, e o primeiro onde foi enterrado. É uma cidade turística que, segundo os locais, fica cheia no verão, já que, diferente de outras cidades vizinhas também conhecidas pelos seus castelos, Amboise possui infraestrutura suficiente para acomodação de um número maior de turistas. Já no inverno, o movimento se restringe aos poucos moradores que ousam sair no frio que assola a cidade para dar um passeio nas ruelas com seus cafés, restaurantes e pâtisseries.
A rua principal, ao lado do castelo, é onde fica a maioria dos restaurantes. Como o movimento é muito pequeno no inverno, vários proprietários abrem seus negócios apenas no verão, quando a cidade está lotada de turistas.
O Chez Bruno era um restaurante/vinicoteca da rua principal que não cheguei a conhecer muito bem. A única vez que estive lá foi muito rápida, comi apenas uma porção de escargots -estavam, contudo, excepcionais! Tá ai um prato que quem tem medo, tem que perder. Escargots são deliciosos e, estes em particular, estavam muito bons. Lembro que fui muito bem atendida e que o pessoal era todo muito simpático. Indico! Se voltar à Amboise -o que eu espero que aconteça- definitivamente farei uma visita mais prolongada ao restaurante.
O Café des Arts é um café/restaurante também na rua principal, um pouco mais afastado. A proposta é bem mais simples: os pratos são mais lanches do que refeição. Pizzas, quiches, omeletes, sanduiches, e coisas do tipo. Almoçava bastante lá, já que os preços eram bem acessíveis, a comida era servida razoavelmente rápido e o dono, que nos atendia, era muito simpático. Como tínhamos que almoçar fora todos os dias para depois voltar para aula, esses fatores eram todos bem importantes. Alguns professores da escola disseram que o Café des Arts sempre foi um lugar frequentado pelos estudantes e que era por isso que o lugar nunca fechava, nem mesmo no inverno
Lembro que gostava em especial de um sanduiche quente que vinha na baguete inteira, com queijo brie derretido e presunto di parma (sim, gente, as porções são grandes mesmo). No começo era meio estranho comer tudo, mas logo logo a gente se acostumou - e ainda sobrava espaço pra um doce. Se não fizer questão de uma refeição e estiver mais pelo lanche -ou se estiver um pouco apertado- recomendo!
O intensivo que fiz foi na Eurocentres de Amboise, uma rede de escolas que existe em vários outros países na Europa. Os professores eram super atenciosos e o ambiente era simples, super descontraído e confortável.
| Programação da semana |
| Virando crêpes na aula de culinária |
Como a cidade era muito pequena e a população era majoritariamente de adultos/idosos, não tinha muitos lugares pra sair de noite. Os mais interessantes eram o Ô Pub, perto da rua principal, e o Le Shaker, do outro lado da ponte, na Île d'Ôr.
Ir no Shaker é um pouco mais longe, já que a cidade não tem muitos táxis (entenda-se: nenhum) e a linha de ônibus é muito recente e só funciona até às 19h. Porém, eu e meus colegas estávamos sem carro, no inverno, cansados, e mesmo assim nos prestávamos a caminhar os 4km das nossas casas até o Le Shaker. Ou seja: vale a pena.
Uma coisa que eu adorava é que eles abriam lugares conforme as pessoas chegavam. Quando lotava uma sala, eles subiam mais um lance de escadas e abriam uma porta pra outra, decorada diferente.
Os preços no Le Shaker são um pouco mais salgados (cerca de 10 euros o copo), mas, além do tamanho gigante de cada drink, a qualidade faz valer a pena. O cardápio é gigantesco: os drinks são separados pelo tipo de bebida alcoólica que levam, e, para se ter uma ideia, cada parte tem cerca de duas páginas. Além disso, oferecem algumas cervejas, vinhos e petiscos.
| Drink que recebeu prêmio de Melhor Drink do Mundo. Detalhe curioso: era um dos não alcoólicos ! |
Se nada disso pareceu suficiente para caminhada até o bar, ainda outro motivo: a vista. Por ser do outro lado da cidade, atravessando a ponte sobre o Loire, é possível ver a cidade e o seu castelo de longe.
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| A cidade ficou tão vazia no inverno que viramos os principais -e quase únicos- clientes |
O Ô Pub é menor e com uma proposta diferente. Além da música eletrônica (ao contrário do Le Shaker, onde predomina old rock e rock alternativo), a decoração é mais estilo moderna e o público é um pouco mais velho. O cardápio é bem menor, com apenas duas opções de sanduíche e menos bebidas. Eles têm, porém, algumas cervejas bastante boas e em tamanhos variados (recomendo a Ruby, uma escura adocicada deliciosa). Além das cervejas, o melhor fator do Ô Pub é a localização: fica na lateral do castelo, um pouco depois da prefeitura, mais perto dos hotéis e restaurantes da cidade.
Chatêau d'Amboise
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| Queijos na feira |
A Bigot é considerada a melhor pâtisserie de Amboise, é não é à toa. Eles fazem doces e chocolates sensacionais; tem chocolate com rosto do Leonardo da Vinci, pastilhas, quadradinhos, e meu favorito: um com a forma da flor-de-lis, símbolo da dinastia Valois. A dinastia Valois foi uma das primeiras dinastias da França, à qual pertencia François I, rei responsável pela construção do Château d'Amboise. O chocolate por fora era ao leite, recheado com caramelo e uma pitada de sal. Ma-ra-vi-lho-so,
Sou apaixonada por macarons, e, pasme, o melhor (e maior) que comi na minha vida foi chez Bigot. Correndo risco de ser apedrejada, ouso afirmar que achei até mesmo melhor do que os famosos macarons Laudurée -que também eram deliciosos, é claro. Mas os macarons da Bigot... ah! Até quem não gosta, gosta.
Não gosta de doce? Então não existe. Vai pra conhecer mesmo e, quem sabe, dar de cara com Mick Jagger?
Amboise fica na Região Central da França, no Vale do Loire






